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subversive paradigm

concurso biomimetic architecture

status: projeto
ano de projeto: 2017
local: brasília, df | brasil
arquitetura: igor coimbra, ricardson ricardo, carolina frança, matheus pardal, thiago zati [autores];
prêmio: menção honrosa

Paradigma subversivo

A favela é um fóssil vivo das primeiras formas de ocupação humana . Processo auto gerido adaptável ao meio e eficiência espacial caracterizam esta forma de ocupação, assim como sistemas naturais – os rios que no seu curso buscam os menores caminhos adaptáveis a geografia ou as formigas que no mundo todo constroem seu habitat ideal.

Fora das restrições legais criadas pela política do capital, a sociedade tende instintivamente a se organizar segundo as relações de comunidade, tal como na sua gênese, vendo a natureza e não tentando controlá-la, mas sim compreendendo o meio e se adaptando às suas condicionantes.

A favela hoje tem estigma por ser reduto de quem está à margem da sociedade contudo suas características de autogestão e tipologia caracterizam um espaço coletivo de alta qualidade e fora dos estereótipos da arquitetura formal projetada. Negamos aqui a herança do urbanismo moderno como resolução do problema da habitação coletiva em forma de uma tipologia verticalizada.

Brasília, primeira cidade planejada e construído sob preceitos modernos, sofre problemas crônicos por ser artefato projetada por uma mente humana, o que a caracteriza como um sistema fechado,  enquanto a favela, sistema aberto, é diariamente construída e reconstruída pela coletividade, mantendo proporção e distribuição ideal no que pode ser alcançado de forma autônoma pela economia local. O controle sobre a ordenação teve como natural reação a rápida expansão dos distritos ao redor de brasília, culminando as suas margens na segunda maior favela do brasil, a sol nascente. Diante do fracasso da vitalidade dos espaços urbanos  da cidade planejada e das concepções de habitações coletivas, instigamos a reflexão de como seria a ocupação dos vazios urbanos a partir de um sistema espontâneo onde a coletividade coordena a expansão da infra estrutura, sendo um questionamento para o poder público, na capital do país, de que representatividade indireta é a ideal solução para a coletivização da habitação e dos espaços públicos.

Gerada a partir da exclusão de setores da população dos fluxos de capital, o surgimento das favelas permitiu a reconexão com as formas de habitar dos primórdios, seria então a favela a tipologia habitacional coletiva do pós modernismo?

A favela é biomimética.