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Memorial vítimas de Santa Maria

concurso público nacional de arquitetura para o memorial às vítimas da boate kiss

status: projeto
ano de projeto: 2018
local: santa maria | brasil
arquitetura: igor coimbra, ricardson ricardo, gabriel pestana [autores]; caroline tavares [colaboradora]

De forma simbólica, o projeto revela elementos naturais como o espelho d’água e jardins que se dedicam a oferecer experiências únicas para os visitantes. Os lugares detêm sutis simbolismos, seja através dos sons das águas da cascata ao fundo do lote, seja pela iluminação difusa que banha a materialidade ou pela espacialidade que integra o programa. A vontade é de proporcionar um sentimento de acolhimento aos visitantes.

A topografia do terreno permitiu que os usos transcorressem em diferentes níveis e possibilitou dois acessos em diferentes cotas que são, na verdade, extensões da calçada, buscando integração com o meio urbano e atribuindo caráter de uso público às praças internas. O acesso à praça se encontra na cota mais baixa, onde se configura uma ampla área integrada, que articula o programa e conecta todo o projeto, distribuindo os percursos para as atividades do local. Com a ampla perspectiva do espaço, é possível usufruir de toda visualização dos ambientes a partir do foyer com acesso integrado ao café e ao auditório, as salas de escritório e a escultura. O nível superior tem acesso pela cota mais alta da calçada e pela praça integrada do nível inferior, compreendendo o salão multiuso com capacidade de ampliação, espaços de convívio e o salão memorial, ligado por uma passarela metálica.

A posição do memorial foi concebida de maneira estratégica. Suspenso no interior do terreno com um grande vazio ao lado e protegido por chapas metálicas. Enquanto volumetria, solto e independente dos outros volumes, tornando-o escultural. O desejo é de criar um percurso que permita visuais espacialmente interessantes e que conduza o visitante, trazendo relações e experiências inéditas com o lugar antes do ingresso ao memorial. Após o percurso, o visitante sentirá alívio em relação a escala do memorial devido ao generoso pé direito, permitindo amplitude do espaço. O interior do memorial é altamente sensitivo, trazendo uma atmosfera singular possibilitada pelos recursos naturais da água e da luz, que quando combinados, criam uma sensação de harmonia e transcendência.

Assim como nos contos infantis, a proposta apresenta sutileza ao homenagear as vítimas. A chapa metálica inclinada que protege o espaço do memorial dispõe de 242 lacunas na materialidade que representam as vítimas. Esses vazios durante o dia permitem a incidência da luz dentro do ambiente, simbolizando a transcendência das vítimas que, como as estrelas no céu, emitem a luminosidade que entra no espaço, projeta-se no espelho d’água e reflete sua luz por todo o ambiente. Imediatamente à frente do espelho d’água, se encontra a chapa metálica com os nomes das vítimas. Consequentemente, cria-se uma atmosfera contemplativa e de reflexão. Durante a noite a representação das estrelas pode ser vista do lado de fora, onde as luzes do interior se esvaem pelas frestas identificando o memorial, que como um farol, serve de aviso e passa a mensagem de orientação a todos, para que não se repita.