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casulo

concurso abrigo portátil

status: projeto
ano de projeto: 2018
local: são paulo | brasil
arquitetura: igor coimbra, caroline tavares, matheus pardal [autores];
prêmio: primeiro colocado

Segundo o IPEA, o Brasil possui mais de 100 mil moradores de rua. A maioria deles vive em grandes municípios e sofrem com a hostilidade da condição de vida nas ruas.

Ao mesmo tempo, enquanto moradores de rua procuram abrigo em mobiliários e infraestruturas urbanas, administrações públicas segregam ainda mais o espaço por meio do urbanismo defensivo, implantando bancos quebra-costela, espetos, tachões e blocos debaixo de pontes e viadutos. Tudo para inibir a presença de “sem-tetos”. Além disso, as condições climáticas completam o cenário de espaços quase inabitáveis para essa população.

A partir deste contexto, o projeto [casulo] propõe uma solução sob a ótica das relações de simbiose. Ou seja, o abrigo portátil pode ser inserido em diversas estruturas urbanas preexistentes, fixando-se em muros, alambrados, gradis, mobiliários, fissuras, pequenos vãos e marcas de formas de concreto de pontes e viadutos. Esse processo de adaptação ao meio permite que o abrigo seja instalado com facilidade em diversos lugares que compõem a paisagem urbana das cidades brasileiras.

Além disso, a sua dinâmica de inserção permite que o abrigo esteja fixado acima do nível do chão, evitando o frio da umidade do solo e as águas pluviais. Inclusive, para completar as estratégias bioclimáticas, o projeto conta com envoltória de lona impermeável, tela mosquiteiro nas aberturas e a possibilidade de encaixar uma camada de cobertor térmico internamente. Assim, o casulo se adapta às condições climáticas dos extremos de temperaturas.

Os animais de estimação, constantemente presentes na vida dos moradores de rua, podem passar os períodos de descanso abrigados sob a sombra e cobertura do abrigo.

Para satisfazer as necessidades do nomadismo urbano, o casulo pesa cerca de 4kg, e pode ser desmontado ficando com as dimensões de 100cm x 20cm x 10cm, facilmente portável com uma alça ou dentro de um carrinho de mercado. Para o carroceiro, o casulo é fixado nas laterias da carroça.

O casulo é símbolo e instrumento do processo de metamorfose, onde o indivíduo sob novas condições de abrigo, encontra uma forma mais digna de habitar o espaço e se desenvolver. O casulo simbiótico subverte o urbanismo defensivo.